quarta-feira, 1 de julho de 2015

Dar a volta ao texto

O meu filho, artista e matemático, não estava com vontade de estudar português. Era urgente motivá-lo para a leitura e análise de algumas obras. Não alcancei o meu objectivo, mas estudámos juntos para o exame de hoje, tendo passado assim momentos inesquecíveis com o António. Terminado o estudo resolvi dar a volta ao texto e ouvir o Sermão de Padre António Vieira, na voz inconfundível de Bethânia e os Maias também com sotaque brasileiro, dado que nada encontrei no nosso português. Após 3 horas de Eça em "novela", desistimos. Eu aguentei porque estava com a malha na mão!O António não conseguiu de todo, distraindo-se ao fim dos primeiros minutos, voltando à leitura das suas sínteses, "um estudo mais sério"!
Os cães esperaram e desesperaram pelo passeio.
Apesar de tudo, o exame "correu-nos"bem e o meu "Raglan Cereja" entretanto cresceu mais um bocadinho.

Foi um daqueles momentos em que senti tanto a falta da minha avó Teresa! O seu gosto e profundo conhecimento pela Literatura e História, tornava o estudo de Português ,mais apetecível a alguns netos e fascinante a outros. Para mim, uma tarde de estudo com a minha avó era a garantia de uma tarde bem animada, viajando pelo tempo, na pele de um cem número de personagens.
Neste primeiro dia de Julho, partilho Eça e o meu Raglan, no Yarn Along.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Trapologia e Mantas de Retalhos

Trapologia, técnica para fazer peças a partir de pedaços de tecido (...), cosendo-os uns aos outros. Esta é mais uma técnica que quero estudar e à qual vou dedicar parte das minhas férias, que estão quase a chegar! Tenho duas ideias bastante distintas, mas terei de me decidir apenas por uma. Tenho consultado blogs, passeado os olhos pelo pinterest e lido alguns livros, como por exemplo este que comprei na Retrosaria, aconselhada pela Rosa Pomar, a mestre das Mantas.
Seguindo o primeiro caminho que tomei, talvez termine um dia com uma caixa assim (clique para ver imagem) e só depois farei uma manta com hexágonos.
Entretanto vou avançando na minha Manta, tendo a companhia constante dos meus cães!
 Eles ficam no jardim. Eu escondo-me do sol, dando pontos na frescura do alpendre.
No final da tarde de domingo apeteceu-me fotografar a manta, com os meus companheiros.
Impus a mim mesma a condição de não iniciar uma nova manta sem ter terminado esta. Estou muito mais disciplinada, embora ainda não o suficiente!
Um pequeno à parte, e dando seguimento ao último post, em que resvalei desabafos pelas minhas teclas, algo que evito fazer. Estou bem e devo dizer que feliz. Sou uma mãe radiante de orgulho. A minha filha mais velha é Mestre, tendo eu, a família e amigos, presenciado a sua excelente defesa de Tese.
substantivo feminino

1. Técnica para fazer peças a partir de pedaços de tecido de cores ou padrões diferentes, cosendo-os uns nos outros.

"Trapologia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/Trapologia [consultado em 30-06-2015].
substantivo feminino

1. Técnica para fazer peças a partir de pedaços de tecido de cores ou padrões diferentes, cosendo-os uns nos outros.

"Trapologia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/Trapologia [consultado em 30-06-2015].

substantivo feminino

1. Técnica para fazer peças a partir de pedaços de tecido de cores ou padrões diferentes, cosendo-os uns nos outros.

"Trapologia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/Trapologia [consultado em 30-06-2015].

substantivo feminino

1. Técnica para fazer peças a partir de pedaços de tecido de cores ou padrões diferentes, cosendo-os uns nos outros.

"Trapologia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/Trapologia [consultado em 30-06-2015].
(trapo + -logia)

substantivo feminino

1. Técnica para fazer peças a partir de pedaços de tecido de cores ou padrões diferentes, cosendo-os uns nos outros.

"Trapologia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/Trapologia [consultado em 30-06-2015].
(trapo + -logia)

substantivo feminino

1. Técnica para fazer peças a partir de pedaços de tecido de cores ou padrões diferentes, cosendo-os uns nos outros.

"Trapologia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/Trapologia [consultado em 30-06-2015].

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Sinto-me um trapo

Sinto-me um trapo, seja lá o que isso for! Estão a ver quando pegamos num tecido e cortamo-lo em pequenos pedaços? Pois eu sinto que, aquela parte que há em mim, que acredita em alguns princípios da vida, foi rasgada violentamente e feita numa amálgama de trapos. Mas creio profundamente que, tal como na trapologia, vou conseguir transformar esses mil e um trapos numa "manta", retrato de uma felicidade reinventada. Não sou pessoa de me entregar às coisas menos boas da vida!
Sigo mais uma frase que um dia a minha avó Teresa me escreveu "A felicidade não se acha; constrói-se". 
 
Esta tarde retomo a minha manta, algo que me descontrai e me faz feliz!
Bordados acolchoados, contornando os desenhos com a linha branca




quarta-feira, 17 de junho de 2015

Raglan sem costuras

Investi neste livro, quando fiz um dos workshops na Retrosaria. Foi o meu primeiro passo num estudo mais cuidado da malha circular. Sabia que só podia ser bom, depois de o ter visto no blog da Paula.
 A razão deste meu novo interesse é querer tricotar, um dia, talvez daqui uns quantos Invernos, um colete em jacquard, como este da Rosa. Além da leitura deste livro fantástico, considero um bom começo, para a malha sem costuras, a consulta do vídeo da VeryPink. Ver a executar é sempre bom! Após o meu estudo e pesquisas decidi deitar mãos à obra e, embora prefira tricotar lã, optei por um fio de algodão. Perante esta mudança, tricotei amostras e vi-me forçada a cálculos matemáticos, para adaptar as instruções ao meu fio e agulhas. 
 Estava a ficar com o cérebro em papa! Pedi ajuda ao matemático da família, que não sabe nada de tricot, com esperança de não dar asneira. Até agora parece-me que bate tudo certo.
No livro, a Margaret sugere a criação de modelos  ao nosso gosto, por exemplo, fazendo torcidos ou outros pontos, onde tricotei *laçada, meia, laçada* (yo,k,yo). A mudança que estou a pensar fazer no "meu" modelo é tricotar um ponto rendado depois do peito, mas logo se vê! Quando consultei os projectos tricotados com o mesmo fio, encontrei este modelo, este e este, todos gratuitos.

Para evitar que o cérebro me falhe com a matemática da malha, estudo nutrição, lendo este livro.
E a manta? - perguntam vocês.
- Devagar se vai ao longe e muito devagar também!
Além de livros também leio blogs e hoje é dia de leitura de uns quantos, no Yarn Along, onde partilho o que ando a ler e a tricotar, tal como todas as participantes.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Do pé para a mão

Estou a tricotar um modelo que tanto dá para usar como perneiras, como para aquecer as mãos. O desenho é a cópia de uma pequena fracção do esquema B ( Gola minderica) do livro "Malhas Portuguesas". Também segui as instruções da Rosa Pomar, para a bainha de bicos, no entanto, e seguindo o conselho de uma amiga e colega do tricot, montei malhas provisórias num fio de algodão com uma agulha de crochet. A montagem de malhas provisórias facilita o trabalho a quem, como eu, faz a primeira bainha de bicos.

A falta de prática/ conhecimento, na forma como cada fio se comporta, poderá ser um dos motivos para que o meu trabalho apresente este aspecto, de uma bainha pouco "ajustada" e bambaleante, apesar de ter sido tricotada com agulhas um número inferior ao resto do trabalho.
Apesar de tudo, gosto de ver a lã João com a Noro e espero resolver o problema passando um fio elástico, caso seja mesmo necessário!
Entretanto já terminei as Caneleiras Miletinas e tenho continuado, sem pressa, nem ansiedade, ponto a ponto a acolchoar a minha manta. Ao contrário do que eu estava à espera, estou a gostar do resultado do acolchoamento dos bordados. O facto de contornar, com pontos praticamente imperceptíveis, os desenhos, confere-lhes um certo relevo que, aos meus olhos, enriquece os painéis bordados. Por agora não tenho fotografias, pois esta altura do ano é a pior para qualquer professor, e todo o tempo que tenho para descontrair, o alheamento é tal que me esqueço de fotografar. Lembrei-me enquanto fazia a bainha de bicos, para guardar como apontamento para mim, sem ter tido cuidado na qualidade da fotografia, pois não tencionava partilhar. As fotografias do "casamento" entre João e Noro, estão melhores, pois estava a tricotar em casa dos meus pais, tendo por companhia os críticos dos meus irmãos! A ideia desta combinação dos fios nasceu aqui e aqui.
Assim, com as mãos ocupadas e a cabeça longe das preocupações que avassalam qualquer professor no final de mais um ano lectivo, lembrei-me de participar uma vez mais no Keep Calm Crafting On

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Depois do jantar

Ao serão faço malha, mas como tenho visto episódios da Miss Marple, dedico-me às meias que não exigem a minha concentração, como as Caneleiras Miletinas (quase terminadas!).
Ao deitar-me leio o livro que a minha filha escolheu para nós, "O Tempo Entre Costuras". Um romance histórico, como ela gosta, o título a pensar em mim e na irmã. Estou a gostar do enredo empolgante e da simplicidade da escrita, para saberem mais leiam aqui.
Participo, assim, no Yarn- Along.

domingo, 24 de maio de 2015

Alergias, a quanto obrigas!

Por opção, fechei-me em casa quase todo o fim-de-semana. Procurava, assim, fugir da euforia caótica, que vem com a proximidade do Verão, evitando, simultaneamente, algo que me tira do sério, as alergias, e que se intensificam com este tempo. Isolada na "minha redoma", quase sempre de lenços de papel na mão, ainda assim consegui terminar dois dos meus "inacabados". Antes entregar-me a acção de terminar projectos do que atrofiar de ansiedade, na desesperante luta de conquista de tempo. Não sou alérgica apenas ao que "anda no ar", mas também a tudo o que é "anti-zen".
Mais tranquila, retomei e avancei no quilting, tendo experimentado linhas na zona bordada.

Saí de casa apenas para o passeio dos cães. No final do passeio, não resisti e desafiei o poder dos anti-histamínicos. A sorrir, com um novelo novo, comecei mais umas meias na esplanada, desfrutando da "bica e do pastel de nata", tão português e tão bom!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Reinventar a felicidade

A minha avó Teresa hoje faria 100 anos.
A minha avó na festa dos seus 90 anos
Sinto uma saudade imensa mas não escreverei nada lamechas, não era o seu género! Fica apenas o que tenho em mim, que herdei desta minha avó, o prazer de aprender e de ensinar, a paixão pela leitura, pelas viagens, pelo mar e pelos trabalhos de mão. Sinto a sua presença em cada ponto que dou, em cada malha que faço, em cada mergulho que dou.

 


Senti a dor da sua perda duas vezes. A primeira quando deixou de me reconhecer fazendo-me sentir perdida no seu olhar. A segunda, há dois anos, que tornou definitivamente impossível o aconchego dos seus abraços. Hoje reinvento a felicidade, como uma vez a minha avó disse, e faço-o lendo o livro que um dia lhe pedi que escrevesse. Apesar de na altura já ter dificuldade em ver, ainda assim, não me disse que não e respondeu a todas as perguntas do livro e a muito mais! Partilho apenas uns retalhos das suas memórias, alinhavando-os de forma tosca, tentando dar-lhes forma, na sua forma incompleta. Monto assim, uma manta de palavras que retrata apenas uma ínfima parte da minha herança familiar, a mais preciosa, pois faz de mim quem sou, talvez mais do que a herança genética!
A minha avó, desde pequena, muito determinada!
Depois da 4ª classe, os meus pais achavam que uma menina não precisava de mais estudos, mas eu não estava de acordo. Claro que nessa altura tínhamos que ir estudar para o Porto que ficava a 12 km de Valongo. Nem pensar uma menina ir sozinha para tão longe! Eu levei 4 anos para os convencer, ganhei e aos 14 anos e meio consegui. Fui interna para o Colégio Nossa Senhora do Rosário.
Levava muitos trabalhos para fazer em casa?
Os trabalhos eram feitos na hora de estudo.
Fiz o 1º ano em 3 meses, entrei no colégio no dia 15 de Abril e fui para férias no dia 15 de Julho com a única distinção que houve nesse 1º ano no colégio. Não é vaidade mas sim o grande desejo que sempre tive de estudar. Depois fiz o 2º e 3º ano num só ano, o 4º e 5º outra vez num ano. Tive de me emancipar aos 18 anos para fazer exames. Tive de fazer as provas escritas e não pude dispensar de nenhuma oral, porque a essas davam-se o nome de "exames singulares". Até a desenho tive de fazer prova oral.
É verdade tive como colega a Sofia de Mello Breyner Andresen e ela dizia que eramos as companheiras da desgraça porque faziamos os exames sempre no mesmo dia porque o nome dela começava por S e o meu por T e não eramos "Maria".

Que idade tinha quando deixou a escola? Já sabia o que queria fazer na vida?
Tinha 19 anos quando acabei o liceu. Nessa altura sabia bem o que queria. Queria tirar o curso de Românicas. Não havia faculdade de Letras no Porto e eu tinha de ir para Coimbra. Mas em Coimbra estava a estudar o António, Direito, e não passava pela cabeça dos meus pais deixarem-me ir para Coimbra. Falei então com o meu namorado que não achou piada à minha ideia de ir para Lisboa. E disse-me "Para que vais para Lisboa? Qualquer dia casamos". Senti que ao António não lhe agradava a ideia de eu ir para Lisboa. Pela 1ª vez na minha vida eu desisti de estudar, mas foi só naquele momento.
Entrou para a Universidade?
Sim, entrei na Universidade de Lisboa. Mas ainda estive 16 anos a sonhar com isso. Tinha 35 anos e 3 filhos. Em 1950 todos cá em casa fizeram exames, até o meu marido que, por causa do casamento e para se poder empregar só tinha tirado o bacharelato em Direito. Licenciou-se nessa altura. Eu estava a observar a alegria de todos e foi então que o meu marido disse: "Só tu não fizeste exame!". Eu respondi: "Porque tu ainda não quiseste.". Ele respondeu "Agora que os filhos já não precisam tanto de ti, podes fazer o que sempre quiseste". Era o dia 22 de Julho, levantei-me, fui junto dele e perguntei-lhe se o que ele estava a dizer era verdade. A resposta foi positiva. Nessa tarde fui à Baixa comprar pontos de exame do 7º ano, vim para casa e comecei a estudar. No dia 7 de Agosto fiz exame escrito de admissão à Faculdade de Letras. Tive 11 valores a cada disciplina. Não sei o dia em que fiz a oral. Sei que foi em Agosto. Estávamos na praia da Caparica. Vim com o meu marido a Lisboa fazer o exame. Quando cheguei à praia da Caparica os meus filhos tinham escrito com pinhões sobre a minha cama "Parabéns mãezinha". Foi uma grande alegria para todos.

Porque é que escolheu o seu curso?
Escolhi o meu curso porque sempre gostei muito de ler e depois de verificar quais as cadeiras, senti que estava no bom caminho. Literatura e História foram sempre as disciplinas que me encantaram.
Claro que me licenciei, só desisti uma vez e foi para fazer a vontade àquele que foi o meu marido durante 56 anos e namorei ainda 5 anos e meio!
Não esqueci o dia em que defendi tese, 14 de Julho de 1950, tinha 40 anos. Foi também um dia de muita felicidade para mim (consegui concretizar o sonho de mais de 20 anos), para o meu marido e para os meus filhos.
Quem preparou um belíssimo almoço foram as minhas filhas, Maria Teresa de 14 anos e Maria de Fátima de 12 anos com ajuda de uma empregada que eu tinha com 14 anos, a Isaura! O meu marido convidou para esse almoço 2 casais amigos. Nesse mesmo dia o Reitor do liceu Filipa de Lencastre convidou-me para fazer parte do júri do 2º ano, onde eu integrei a disciplina de Francês. Interessante, não acham?
Dois dias depois de me licenciar já estava a fazer o serviço oficial de exames.
Bons tempos! De muito trabalho e de muita felicidade.

Que actividade principal desempenhou durante a sua vida profissional?
Além de Professora estive vários anos no Conselho Directivo de 2 Escolas: Gago Coutinho e Fernão Lopes. Fui Orientadora de Estágio durante 4 anos, Directora de Turma várias vezes, etc.
Além destas escolas estive na Eugénio dos Santos, Marquesa de Alorna, Filipa de Lencastre, Passos Manuel e em Oeiras onde me efectivei.
No dia 30 de Julho de 1985 cheguei a casa um pouco triste e alegre ao mesmo tempo. Triste porque foi o último dia que fui à escola, alegre, ou antes feliz, porque muitos dos meus colegas foram lá só para se despedirem de mim. Mas a maior alegria estava ainda para chegar. O meu marido levou-me à Baixa, o que me deixou surpreendida. Fomos à gaveta que tínhamos alugado no Banco e fiquei admirada quando me deu uma jóia. Disse-lhe que já me tinha dado o presente de aniversário e ele respondeu "Não, isto é para agradecer à minha esposa e mãe dos meus filhos que tanto me ajudou durante todos estes anos". Claro, caí nos braços dele a chorar de emoção.
 A minha avó, uma mulher apaixonada

 Quando é que teve o seu primeiro namoro?
Só tive um namoro com quem casei ao fim de 5 anos e meio.
Conheci-o na Foz do Douro no dia 4 de Agosto e no dia 18 pediu-me namoro. Ele escreveu numa pedra "Amo-a, serei correspondido?", e deu-ma. Eu fiz de conta que não percebi e atirei a pedra para o mar. Mas a que atirei para o mar, foi outra que também tinha na mão.
Fiz-me rogada e ele escreveu-me a repetir o pedido de namoro. Na 3ª carta dizia que se eu não aceitasse, com muita tristeza tinha de desistir. Eu aceitei, no dia 18 de Setembro.
Só ao fim de 8 ou 10 anos de casados, ele lembrou-se e disse-me "deitaste a pedra fora!". Eu achei graça e mostrei-lhe a pedra que ainda a tinha comigo. Ele ficou muito contente. Mas com as mudanças de casa acabei, com bastante desgosto, de a perder, mas ele nunca o soube. 

(...) O meu pai perguntou-me se gostava dele para casar. Gosto mesmo muito.E sabes se ele gosta de ti? Tenho a certeza absoluta! Então faz o que quiseres. E eu casei passados 2 meses.

Como ocupavam o tempo livre?
Quando casámos e quando o António já tinha estudado jogávamos ao Crapôt. Uma vez por semana jogávamos com os amigos ao Bluf, ao King, à Sueca ou à Bisca.
Eu passava bastante tempo a bordar e a fazer as roupas para os meus filhos. Também fazia muito tricot para os meus 3 filhos, para mim e para o meu marido. Até crochet fiz, mesmo sem gostar.
Mais tarde, quando a vida se tornou mais fácil fazíamos alguns passeios, mas sempre tudo muito equilibrado por causa do dinheiro.  
(No livro, a minha avó refere a viagem de sonho que ficou por realizar, um passeio pela Austrália. Sou mesmo parecida com a minha avó!)
"(...)em pé , sentadas , a rir, vale tudo desde que nãos se largue as agulhas!"
A minha mãe é a única que não está a tricotar, provavelmente por causa de mim, a única neta (além da minha irmã, ainda no carrinho) "forçada" a ficar junto dos adultos. O que teria eu feito, desta vez?!
 Tal como a minha avó fui para o ensino pelo prazer de ensinar. Estive 10 anos na escola em que se reformou e as colegas contavam-me que durante um tempo andaram intrigadas com o tricot da minha avó, pois ela andava dias e dias com a mesma meia ou camisola, apesar de aproveitar todos os intervalos para tricotar. Claro que depressa descobriram que a minha avó tricotava para os 11 netos (22 pés para calçar! todos com camisolas iguais!). Ainda tricotou botinhas para os bisnetos, deixando o resto do enxoval a cargo das avós.
 A minha avó era assim. A sua relação com os netos era de avó, a avó que mima e que não tem necessidade de tomar o lugar dos pais. Algo que se está a perder. Quando juntava os netos em casa, dava sempre "asneira"! 11 crianças, com idades próximas e ideias "geniais", precisavam de um cúmplice, que era a nossa avó, para camuflar os estragos que fazíamos. Tentava, então, o convencer o nosso avô que "Eles até nem se portaram mal!". Éramos um bando de crianças felizes com tendência natural para a "asneira".
 Os meus avós no meu casamento
 "E a sorrir
Devorámos o mundo
Num abraço
Tão profundo."
Da minha avó Teresa quero ter a sua garra e a arte de abraçar a vida com alegria. Recordo-a apenas revoltada com o destino quando perdeu o meu avô, mas, à  sua maneira, reinventou a felicidade, na família, nos laços que criou com os 3 filhos, ou melhor 6, como gostava de dizer, os 11 netos (o Nico sempre presente apesar de ausente) e os 22 bisnetos (entretanto nasceu o 23○)

Avó, hoje a família "reinventa a felicidade" e reunidos comemoramos a tua Vida e juntos rimos partilhando as tuas, as nossas, memórias, embarcando numa viagem para um outro tempo, aquele em que eras a nossa cúmplice de brincadeiras.